segunda-feira, 2 de junho de 2008

Mas qualquer coisa que eu diga vai ser mesmo qualquer coisa que eu disse.
As palavras são curtas e não alcançam lá no fundo, onde dói escondido quando o mundo dormiu e não há nenhum olho aberto pra enxergar.
Ninguém te vê. As palavras não adormecem com o mundo porque já nascem sem som. E não adianta, menina, e você sabe.
Qualquer lágrima que os seus olhos chorem vão ser mesmo qualquer lágrima chorada e ninguém desse mundo vai parar a sua correria pra acariciar o seu rosto.
A resposta está em fechar os olhos e não ouvir nada, ignorar as palavras, porque elas enganam a gente e a felicidade - quando chega - é tão precisa que emudece.
Eu ainda acredito que ela vá chegar assim, sem muito barulho.

Não para nunca...



E se a lua se puser bem ali, na minha frente fazendo graça porque, mais uma vez, o pôr-do-sol vai ser solitário? Na verdade não importa muito e eu relevo porque eu sei que não fossem todas as noites longe, eu mal saberia aproveitar os dias tão cheios de você.
Ela escreveu uma carta de amor e ficou ansiosa pela resposta dele.
Ele sorriu, coçou a cabeça, não soube o que falar.
Ela, então, insistiu e pediu que suas palavras não ficassem assim, sem resposta.
E ele respondeu: É triste. você está me abandonando.
Então ele parou de sorrir e ela parou de escrever.
Nem todas as cartas de amor falam de encontros, e talvez ele estivesse certo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Te espero...

E mais uma vez, é como se um pedaço meu estivesse indo pra um caminho diferente, ficando longe de mim. E eu persisto ereta, fingindo estar imune - quase forte - e talvez até consiga mesmo enganar bem o mundo fingindo que o meu não desbotou mais um pouco com essa nova partida.

Pra longe como o vento leva as leves bolhas de sabão...



Da onde veio o barulho, eu não sei.
Mas as suas mãos se perderam no caminho das minhas
e ficamos cegos por alguns segundos - ou mais.
Não vou cantar canções tristes e nem desorientar sua partida.
Mas o meu coração vai repousar no adeus por um tempo e,
por um momento, se perder de vista de algumas pessoas - ou mais.
Quero que a vida seja leve como uma bolinha de espuma, daquelas que ninguém vê. As atenções todas voltadas para estourar a grande bola de sabão, e a bolinha de espuma, tão pequenina, anda bem mais, vôa tão mais alto, e ninguém a perturba.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Caixinha....

Dentro do meu peito existe uma caixinha trancada, cheia de coisas que ninguém nunca viu, que eu nunca disse, enfim, que ninguém sabe. E ela vai ficar lá pra sempre, sempre mais cheia de histórias que todo mundo só sabe pela metade, de sorrisos que eu sorri escondida no banheiro e de lágrimas que escorreram atrás dos óculos escuros e ninguém notou. A minha caixinha serve pra mim e pros outros, me protege do mundo e protege ele de mim. De todas as verdades, muito mais do que metades vão pra tal da caixinha. E não, não é questão de dizer muitas mentiras, é na realidade, mais o fato de guardar pra mim a maioria das minhas verdades.